Própolis

Substância resinosa coletada pelas abelhas de plantas, usada para selar e proteger a colmeia, com reconhecidas propriedades antimicrobianas.

Própolis

A própolis é uma das substâncias mais complexas e fascinantes produzidas pelas abelhas. Trata-se de uma mistura de resinas vegetais, ceras, óleos essenciais e secreções salivares das próprias abelhas, utilizada para selar frestas e rachaduras da colmeia, polir o interior das células antes da postura, mumificar insetos invasores mortos dentro do ninho e, principalmente, criar um ambiente higienizado e protegido contra microrganismos patogênicos. A palavra “própolis” vem do grego: pro (em defesa de) e polis (cidade), ou seja, “em defesa da cidade” — uma referência direta ao papel protetor que essa substância desempenha na vida da colônia.

O Que É

A própolis é uma substância resinosa, de consistência variável — pode ser maleável e pegajosa em temperaturas altas ou dura e quebradiça em temperaturas baixas. Sua cor varia do amarelo-claro ao marrom-escuro, podendo ser esverdeada ou avermelhada, dependendo da origem botânica das resinas coletadas. As abelhas obreiras coletam resinas de brotos, cascas e exsudados de árvores e arbustos, transportando-as nas corbículas (cestas de pólen) das patas traseiras até a colmeia. Lá, outras operárias recebem o material e o misturam com cera e enzimas salivares, transformando-o na própolis propriamente dita.

De forma geral, a composição da própolis inclui aproximadamente 50% de resinas e bálsamos, 30% de cera, 10% de óleos essenciais e aromáticos, 5% de pólen e 5% de outras substâncias orgânicas. Dentro dessa mistura, já foram identificados mais de 300 compostos diferentes, incluindo flavonoides, ácidos fenólicos, terpenos, cumarinas, aminoácidos, vitaminas do complexo B e minerais como ferro, zinco, magnésio e cálcio. Essa riqueza química é o que confere à própolis suas notáveis propriedades biológicas.

História e Contexto no Brasil

O uso da própolis pela humanidade é milenar. Egípcios já a utilizavam no processo de mumificação, e os gregos a empregavam como cicatrizante de feridas. Na medicina popular brasileira, a própolis sempre ocupou lugar de destaque — os povos indígenas já conheciam as propriedades medicinais das resinas coletadas por abelhas nativas, e os primeiros colonizadores portugueses rapidamente incorporaram o uso da própolis de Apis mellifera em seus remédios caseiros.

O Brasil se consolidou como protagonista mundial na pesquisa e produção de própolis a partir da década de 1980, quando pesquisadores japoneses descobriram as propriedades excepcionais da própolis verde brasileira, produzida a partir de resinas do alecrim-do-campo (Baccharis dracunculifolia), planta nativa do cerrado de Minas Gerais e São Paulo. Desde então, o país se tornou o maior exportador mundial de própolis, com o Japão como principal mercado consumidor. Hoje, o Brasil reconhece oficialmente mais de 13 tipos distintos de própolis, classificados conforme a flora apícola de origem — incluindo a própolis verde, a própolis vermelha do mangue (encontrada em Alagoas e Sergipe), a própolis marrom do Sul e muitas outras variedades regionais. Para entender melhor a diversidade das plantas que dão origem à própolis, consulte nosso artigo sobre flora apícola e plantas para abelhas.

Como Funciona na Prática

As abelhas utilizam a própolis de maneiras diversas dentro da colmeia. A primeira e mais visível é a vedação: toda fresta, rachadura ou abertura indesejada é selada com própolis para impedir a entrada de vento, chuva e invasores. As abelhas também aplicam uma fina camada de própolis no interior de cada célula do favo antes da rainha depositar seus ovos, criando uma superfície esterilizada que protege as larvas contra infecções. Na entrada da colmeia, muitas colônias constroem uma barreira de própolis que funciona como uma “porta de esterilização” — toda abelha que entra precisa passar por ela, limpando-se de possíveis patógenos.

Para o apicultor, a coleta de própolis pode ser feita de duas formas principais. A primeira é a raspagem manual das partes internas da colmeia — tampas, laterais e topos dos quadros — onde a própolis se acumula naturalmente. A segunda, mais eficiente e que produz material de melhor qualidade, utiliza telas coletoras de própolis (malhas plásticas ou de nylon) colocadas sobre os quadros. As abelhas preenchem os orifícios da tela com própolis, que é então retirada, congelada e fragmentada para processamento. Após a coleta, a própolis bruta é processada para obtenção de extrato alcoólico, extrato glicólico, própolis em pó ou própolis em cápsulas. O extrato alcoólico é o mais comum e é obtido pela maceração da própolis em álcool de cereais por períodos que variam de 15 a 45 dias. Quem deseja se aprofundar no manejo de produtos da colmeia pode conferir nosso guia sobre cera, própolis, pólen e outros produtos.

Importância para a Apicultura e Meliponicultura

A própolis representa uma fonte de renda significativa para o apicultor brasileiro. Enquanto o mel continua sendo o principal produto da colmeia, a própolis pode alcançar preços muito superiores por quilograma, especialmente a própolis verde de alta qualidade, que chega a valer mais de R$ 200 por quilo no mercado interno e valores ainda mais altos na exportação. A diversificação da produção, incluindo a coleta de própolis junto com mel, cera e pólen, é uma estratégia recomendada para quem deseja começar na apicultura.

Na meliponicultura, as abelhas sem ferrão como a jataí, a mandaçaia e a uruçu também produzem própolis, embora em quantidades menores e com composição diferente da própolis de Apis mellifera. A própolis de abelhas nativas, chamada de geoprópolis (pois contém partículas de solo misturadas à resina), tem sido objeto de crescente interesse científico por suas propriedades medicinais únicas.

Do ponto de vista sanitário, a própolis é a primeira linha de defesa da colônia contra doenças e pragas. Colônias que produzem mais própolis tendem a ser mais resistentes a infecções bacterianas, fúngicas e virais. Pesquisas recentes demonstram que abelhas selecionadas para maior produção de própolis têm menor incidência de doenças como a cria pútrida americana e a nosemose, indicando que a produção de própolis é um traço geneticamente selecionável e de grande valor para programas de melhoramento genético apícola.

Termos Relacionados

  • Colmeia — a habitação onde as abelhas produzem e aplicam a própolis.
  • Obreira — as operárias responsáveis por coletar resinas e produzir a própolis.
  • Flora Apícola — as plantas que fornecem as resinas usadas na fabricação da própolis.
  • Mel — outro produto importante da colmeia, frequentemente comercializado junto com a própolis.
  • Cera — substância que se mistura às resinas na composição final da própolis.

Perguntas Frequentes

A própolis é segura para consumo humano? Sim, a própolis é amplamente utilizada como suplemento alimentar e remédio fitoterápico. Contudo, pessoas com alergia a produtos apícolas ou a resinas vegetais devem evitar seu uso. Gestantes e crianças menores de dois anos devem consultar um médico antes de consumir.

Qual a diferença entre própolis verde e própolis vermelha? A diferença está na origem botânica. A própolis verde é produzida a partir de resinas do alecrim-do-campo e é rica em artepilina C, um composto com forte ação antioxidante e antitumoral. A própolis vermelha, coletada de resinas do mangue vermelho (Dalbergia ecastaphyllum), é rica em isoflavonas e tem propriedades anti-inflamatórias e antimicrobianas distintas.

Quantos quilos de própolis uma colmeia produz por ano? Uma colmeia bem manejada com tela coletora pode produzir entre 300 gramas e 1,5 kg de própolis por ano, dependendo da região, da flora apícola disponível e da genética das abelhas. Sem tela coletora, a produção obtida por raspagem é significativamente menor.

A coleta de própolis prejudica as abelhas? Não, desde que feita de forma responsável. As abelhas produzem própolis continuamente, e a retirada controlada estimula a produção de mais própolis. O importante é nunca remover toda a própolis da colmeia de uma só vez, permitindo que a colônia mantenha sua proteção sanitária.