Pequeno Besouro das Colmeias: Prevenção e Controle

O pequeno besouro das colmeias (Aethina tumida) é uma praga quarentenária de alto risco para a apicultura, cujas larvas se alimentam de mel, pólen e cria, provocando a fermentação e a liquefação rápida dos favos. Detectado no Brasil em 2012, o besouro exige monitoramento constante, manutenção de colônias populosas e rigor higiênico no armazenamento de melgueiras e no manejo do apiário.

Embora colônias fortes de abelhas africanizadas consigam conter adultos confinando-os em cantos da colmeia (o chamado encarceramento), apiários com colônias enfraquecidas, umidade elevada ou falhas de manejo correm sério risco de infestação generalizada, perda de mel e abandono do ninho.

Este guia detalha a biologia do inseto, os sinais de alerta, a diferença para outras pragas como a traça-da-cera e as medidas práticas de prevenção e controle autorizadas no Brasil.

Resumo Rápido: Ficha Técnica do Besouro

CaracterísticaDescrição
Nome científicoAethina tumida (família Nitidulidae)
OrigemÁfrica subsaariana
Alvo principalColônias de Apis mellifera (e ocasionalmente colônias de abelhas sem ferrão enfraquecidas)
Fase daninhaLarvas vorazes que destroem favos, mel e pólen
Sinal clássicoMel fermentado com odor característico de laranja podre e larvas ágeis que nadam no mel
NotificaçãoPraga de notificação obrigatória aos órgãos de defesa agropecuária (MAPA/defesa estadual)

O Que É o Pequeno Besouro das Colmeias

Originário do continente africano, o Aethina tumida é um coleóptero pequeno (mede cerca de 5 a 7 milímetros de comprimento), de coloração que varia do castanho-escuro ao preto, com corpo oval e antenas em forma de clava. Os adultos voam bem e podem percorrer quilômetros em busca de novas colmeias atraídos pelo odor de mel, pólen e feromônios das abelhas.

Na África, convive de forma equilibrada com abelhas locais. Porém, em outras regiões do mundo e no Brasil, encontrou condições favoráveis de clima tropical úmido em muitos períodos do ano. Quando uma colônia está forte e sadia, as operárias perseguem os besouros adultos, forçando-os a se esconderem em fendas estreitas ou cantos do fundo da caixa, onde ficam cercados por própolis e cera (comportamento conhecido como “prisão” ou encarceramento).

O perigo real começa quando a colônia enfraquece por falta de alimento, estresse climático, perda de rainha, doenças como varroa ou nosema, ou quando os quadros são retirados e deixados sem proteção.

Ciclo de Vida e Comportamento

O ciclo biológico do pequeno besouro compreende quatro fases: ovo, larva, pupa e adulto.

  1. Ovos: As fêmeas acasaladas entram na colmeia e depositam massas de ovos pequenos e esbranquiçados em fendas, cavidades dos quadros ou diretamente sobre os favos de cria e pólen.
  2. Larvas: Os ovos eclodem rapidamente (entre 1 e 3 dias). As larvas nascidas são vorazes, possuem mandíbulas fortes e se alimentam incessantemente de mel, pólen e larvas de abelhas. Elas crescem até cerca de 10 a 12 milímetros.
  3. Pupas: Ao completarem o desenvolvimento larval (cerca de duas semanas), as larvas abandonam a colmeia à noite ou no início da manhã, descem ao solo ao redor da colmeia e cavam a terra (geralmente entre 2 a 10 cm de profundidade) para pupar. O solo úmido e arenoso facilita essa etapa.
  4. Adultos: Após a fase de pupa no solo (que dura de 2 a 4 semanas, dependendo da temperatura), os novos besouros emergem, voam e buscam uma nova colmeia para iniciar o ciclo.

Sintomas e Danos nas Colmeias

Identificar a infestação em estágio inicial evita o colapso do apiário. Os principais sinais incluem:

  • Presença de besouros adultos: Movimento rápido de insetos escuros correndo pelos quadros e escondendo-se quando a tampa é aberta (diferente das abelhas, eles fogem da luz com agilidade).
  • Favos arruinados e mel fermentado: As larvas cavam galerias nos favos, defecam no mel e liberam secreções que fazem o mel fermentar, adquirindo consistência aguada, bolhas e odor forte semelhante a laranja podre ou mel estragado.
  • Mel que “anda”: O termo popular descreve a massa de larvas densa que se movimenta sobre os quadros, fazendo o favo parecer dissolver-se.
  • Abandono da colmeia: Em infestações severas, as abelhas simplesmente abandonam a caixa (enxame de fuga) devido à contaminação e ao cheiro insuportável.

Para um panorama sanitário mais amplo, consulte o guia sobre doenças e pragas nas colmeias.

Como Diferenciar de Outras Pragas

É comum confundir os danos do pequeno besouro com outras ocorrências comuns no apiário brasileiro:

  • Traça-da-cera (Galleria mellonella): A traça produz casulões de seda densos, teias grossas e galerias secas nos favos. O pequeno besouro não tece casulos na colmeia e suas larvas deixam o mel fluido, rançoso e espumoso.
  • Forídeos (Pseudohypocera kerteszi): Muito comuns em colônias de abelhas sem ferrão (meliponicultura), os forídeos são pequenas moscas cujas larvas atacam preferencialmente colônias enfraquecidas de melíponas e trígonas. O besouro Aethina tumida prefere Apis mellifera, embora possa afetar caixas racionais descuidadas.

Estratégias de Prevenção e Controle

O controle do pequeno besouro exige manejo integrado, combinando força da colônia, limpeza e armadilhas específicas:

  1. Manter colônias fortes e populosas: Uma colônia com grande número de abelhas operárias jovens e ativas consegue conter os besouros adultos e impedir a postura de ovos.
  2. Armadilhas físicas na colmeia: O uso de armadilhas plásticas ou descartáveis preenchidas com óleo vegetal (colocadas entre os quadros ou no fundo) atrai os besouros, que caem no óleo e morrem afogados.
  3. Rigienização do apiário e sala de extração: Não deixe melgueiras, pedaços de favo ou restos de cera acumulados ao ar livre. O mel exposto atrai besouros de quilômetros de distância. Siga os padrões de higienização de colmeias e equipamentos.
  4. Manejo do solo ao redor da colmeia: Como as larvas precisam entrar na terra para pupar, manter o solo limpo, capinado e seco ao redor dos cavaletes (ou colocar telas e calhaus) dificulta a maturação das pupas. O uso de nematoides entomopatogênicos no solo em apiários comerciais é estudado em pesquisas de controle biológico.
  5. Cuidado com o armazenamento de melgueiras: Favos armazenados em local fechado e arejado, ou submetidos ao congelamento por 48 horas, eliminam ovos e larvas do besouro com total segurança.

O Que Fazer em Caso de Suspeita

Por se tratar de uma praga exótica controlada e de notificação importante para a avicultura e apicultura nacional, caso você encontre espécimes suspeitos de Aethina tumida com características atípicas em grande quantidade, a conduta correta é:

  • Coletar amostras dos besouros adultos em um frasco com álcool 70%.
  • Fotografar os danos observados nos quadros.
  • Evitar o transporte de melgueiras, quadros ou colônias suspeitas para outros apiários.
  • Acionar imediatamente a unidade de defesa sanitária animal do seu estado (como ADAGRO, IAGRO, IMA, IDARON, DEFESA, entre outros) ou a superintendência federal de agricultura (MAPA).

A notificação precoce protege os apicultores da região e evita prejuízos generalizados à cadeia produtiva do mel brasileiro.

Perguntas Frequentes (FAQ)

O pequeno besouro das colmeias ataca abelhas sem ferrão?

Embora o hospedeiro principal seja a Apis mellifera, colônias enfraquecidas de abelhas nativas sem ferrão (como mandassaia, uruçu ou jataí) também podem sofrer danos se o besouro conseguir penetrar na caixa e encontrar condições de umidade e alimento desprotegido.

O mel fermentado pelo besouro pode ser consumido?

Não. O mel infestado por larvas do pequeno besouro sofre contaminação bacteriana, fermentação avançada, presença de dejetos e odor fétido, tornando-se totalmente impróprio para o consumo humano ou comercialização.

O congelamento de favos mata o besouro?

Sim. Manter melgueiras ou quadros com favos em câmaras frias ou freezers domésticos a temperaturas abaixo de -12°C por pelo menos 24 a 48 horas elimina ovos, larvas e adultos do pequeno besouro com alta eficácia.

Fontes e Referências