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title: "Doenças das Abelhas: Como Identificar e Prevenir no Apiário"
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description: "Doenças das abelhas: identifique os sinais de cria giz, cria pútrida europeia, nosemose e varroase, e aplique o manejo que previne surtos no apiário."
date: "2026-09-17"
author: "Equipe Apiculturar"
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# Doenças das Abelhas: Como Identificar e Prevenir no Apiário

Doenças das abelhas: identifique os sinais de cria giz, cria pútrida europeia, nosemose e varroase, e aplique o manejo que previne surtos no apiário.


**As doenças mais comuns das abelhas no Brasil atacam principalmente a cria: cria giz (mumias brancas de aparência de giz nos [favos](/glossario/favos/)), cria pútrida europeia (larvas amareladas e moles com odor ácido), nosemose (manchas fecais e abelhas rastejando na entrada) e varroase (ácaros visíveis no corpo das abelhas e cria deformada).** Nenhuma delas se resolve com um "remédio único" — o controle real vem do manejo: favos novos, colônia forte, ventilação, nutrição e monitoramento frequente.

A boa notícia: quase todas as doenças de abelhas deixam sinais visíveis em uma revisão de 2 minutos por [colmeia](/glossario/colmeia/). Este guia mostra o que observar em cada quadro de cria, como diferenciar os problemas mais comuns, o que fazer quando o quadro aparece e como montar uma rotina de prevenção que funciona no clima brasileiro — do fim do inverno ao pico da primavera, quando a cria acelera e os desafios sanitários aparecem junto.

## Resposta Rápida: Doenças Mais Comuns no Apiário Brasileiro

| Problema | Agente | Onde observar | Sinal típico | Gravidade |
|---|---|---|---|---|
| **Cria giz (ascosferose)** | Fungo *Ascosphaera apis* | Cria em operculação | Larvas mumificadas, duras, brancas ou pretas, tipo "giz" | Moderada; forte em frio e umidade |
| **Cria pútrida europeia** | Bactéria *Melissococcus plutonius* | Larvas jovens (sem opercular) | Larvas amareladas, moles, deslocadas da posição, odor ácido | Alta; pode dizimar cria |
| **Nosemose** | Protozoários *Nosema apis*/*N. ceranae* | Abdômen e fezes | Manchas fecais na caixa e na entrada, abelhas rastejando, despopulação | Silenciosa; enfraquece a colônia |
| **Varroase** | Ácaro *Varroa destructor* | Corpo das abelhas e cria | Ácaros visíveis, asas deformadas, cria salpicada | Alta; principal ameaça a *Apis* |
| **Traça da cera** | Lagartas de *Galleria mellonella* | Favos estocados e colmeias fracas | Teias e galerias nos favos, "serragem" | Baixa em colônia forte; séria no armazenamento |

Regra de ouro do diagnóstico: **cria doente não se adivinha, se examina**. Abra a colmeia, segure o quadro contra a luz e procure larvas mortas, postura salpicada, operculos perfurados ou afundados. Se algo parecer cria pútrida, fotografe e procure apoio técnico antes de qualquer medida drástica.

## Por Que a Sanidade Começa na Prevenção

Doenças de abelhas raramente aparecem do nada. Elas se instalam quando três fatores se juntam: agente presente (esporos, bactérias, ácaros), colônia enfraquecida e ambiente favorável (umidade, frio, falta de alimento). O manejo age exatamente sobre os dois últimos:

- **[Colônia](/glossario/colonia/) forte** — população suficiente para cobrir e limpar a cria, remover larvas mortas e manter a temperatura do [ninho](/glossario/ninho/);
- **Favos renovados** — favos escuros acumulam esporos e resíduos; a [renovação de favos](/blog/renovacao-favos-colmeia/) é medida sanitária comprovada;
- **Ventilação e cobertura seca** — umidade dentro da caixa é a aliada número 1 dos fungos de cria;
- **Nutrição em dia** — colônia com [pólen](/glossario/polen/) e mel de reserva resiste melhor a nosemose e ao estresse;
- **Menos estresse possível** — transporte excessivo, manejos muito frequentes e desnutrição abrem a porta para doenças.

No fim do inverno, a transição para a primavera é o momento mais delicado no Centro-Sul: a população de [obreiras](/glossario/obreira/) caiu, os favos envelheceram e a umidade ainda é alta. É quando a cria giz mais aparece. A preparação de [primavera](/blog/preparacao-colmeias-primavera-brasil/) e o [checklist de setembro](/blog/checklist-setembro-apiario-meliponario/) existem para antecipar exatamente esse cenário.

## Cria Giz (Ascosferose): A Doença do Frio e da Umidade

### Como identificar

A cria giz é a doença fúngica mais diagnosticada em apiários brasileiros. O agente, *Ascosphaera apis*, consome a larva e a transforma em mumia — uma carcaça dura, esbranquiçada ou preta, do tamanho de um grão de arroz, que lembra um pedaço de giz. Os sinais clássicos:

1. larvas mumificadas dentro das células, brancas (mummias brancas) ou pretas (mummias com esporos);
2. mumias espalhadas no assoalho da colmeia e na frente da caixa — as próprias abelhas as removem;
3. cria salpicada, com "buracos" no padrão de postura;
4. mais frequente em colônias fracas, em períodos chuvosos e frios, com néctar diluído e ninho úmido.

### O que fazer

A cria giz regride sozinha quando o clima melhora e a colônia se fortalece. O manejo acelera a recuperação:

- **reduza a caixa** ao volume que a colônia consegue cobrir — o [redução de espaço para colmeias fracas](/blog/reduzir-espaco-colmeia-fraca-inverno/) é o primeiro passo;
- melhore a **ventilação** e verifique vazamentos na tampa — uma [tampa infiltrando chuva](/blog/tampa-colmeia-infiltracao-chuva-inverno/) mantém o ninho úmido por semanas;
- remova quadros muito contaminados de mumias e derreta a cera;
- se a colônia estiver muito fraca, considere [unir colmeias fracas](/blog/unir-colmeias-fracas-apiario/) antes que a doença a consuma;
- alguns apicultores trocam a [rainha](/glossario/rainha/) de linhagens mais sensíveis — genética conta na resistência.

Evite abrir a colmeia em dia frio e chuvoso só para "ver a cria". Cada abertura derruba a temperatura interna do ninho e favorece o fungo. Siga a lógica de [quando abrir colmeias no frio](/blog/revisao-colmeias-frio-quando-abrir/): examine quando houver motivo, rápido e em dia bom.

## Cria Pútrida Europeia: O Alerta Que Merece Atenção

### Como identificar

A cria pútrida europeia (CPE) é causada por bactérias como *Melissococcus plutonius* que matam a **larva jovem, ainda em posição de "C", antes do operculamento**. Diferenciais importantes:

- larvas amareladas, depois marrom-escuras, moles e deslocadas das células;
- **odor ácido** (leite azedo), distinto do cheiro normal da colônia;
- cria salpicada porque a rainha repõe larvas onde outras morreram;
- postura irregular, cobertura de cria falhada.

A confusão mais comum é com cria giz — mas mumias de giz são duras e a larva de CPE é mole e pegajosa. Outro ponto de atenção: a **cria pútrida americana** (CPA), a forma mais grave da doença, **não tem ocorrência confirmada oficialmente no Brasil**. Por isso, qualquer suspeita de cria pútrida atípica, com filamentos pegajosos ao serem esticados, deve ser comunicada à agência estadual de defesa agropecuária ou ao serviço veterinário oficial. Não tente resolver sozinho, não descarte material no campo e não transporte quadros suspeitos entre apiários.

### O que fazer no caso confirmado de CPE

- acione apoio técnico (extensionista, médico-veterinário, Emater da sua região);
- reduza o ninho e reforce a colônia — população baixa é o principal fator de risco;
- troque os favos afetados por lâminas de cera alveolada nova;
- reine com matriz nova de origem confiável, se a postura estiver comprometida;
- separe equipamentos de manejo usados nas colônias doentes e higienize antes de usar no resto do apiário.

## Nosemose: A Doença Silenciosa

A nosemose é causada por protozoários do gênero *Nosema* que parasitam o intestino médio da abelha adulta. É chamada de "doença de primavera" na literatura clássica porque aparece quando as colônias saem do inverno com sobreposição de gerações encurtadas.

**Sinais de campo:** manchas fecais castanhas no fundo da caixa, nos quadros e na entrada; abelhas com abdômen distendido rastejando na frente da colmeia; despopulação gradual sem explicação; falha no desenvolvimento da colônia mesmo com florada presente. O diagnóstico certo é laboratorial (exame de abelhas), mas as manchas de fezes são um alerta prático.

**Manejo preventivo e de recuperação:**

- **renove os favos** — grande parte dos esporos se acumula nas células usadas; a cada ciclo, substitua os mais escuros;
- garanta **nutrição de qualidade** no entressafra, com pólen disponível ou suplementação adequada;
- evite estresse por [alimentação artificial mal conduzida](/blog/alimentacao-artificial-abelhas-outono/) — xaropes diluídos em excesso estimulam a diarreia;
- mantenha caixas secas, ventiladas e expostas ao sol da manhã;
- colônias que saem do inverno muito fracas raramente se recuperam sozinhas — considere uni-las e seguir o plano de [recuperação após frentes frias](/blog/recuperar-colmeias-apos-frente-fria/).

## Varroase e Traça: Os Parasitas de Rotina

Duas pragas completam o quadro sanitário e já têm guias dedicados aqui no site:

- **[Varroa destructor](/blog/varroa-abelhas-monitoramento-controle/)** — o ácaro mais importante para abelhas *Apis* no mundo. No Brasil, as colônias africanizadas convivem melhor com o parasita, mas o monitoramento continua essencial: caixa de fundo telhado, examine a cria de zangão, procure abelhas com asas deformadas. Controle se baseia em manejo (favos de zangão, sincronia de cria) e em produtos registrados quando necessário.
- **[Traça da cera](/blog/traca-da-cera-colmeias-melgueiras/)** — lagartas que perfuram favos com teias e "serragem". Em colônia forte, as próprias abelhas contêm o problema; o risco real está em favos estocados e em colônias fracas sem cobertura. Armazenamento frio, arejado e vistoriado resolve a maior parte.

## Rotina de Prevenção: O Checklist Sanitário

Monte a sanidade do apiário em três camadas — por colônia, por visita e por estação:

**Em cada revisão (2 minutos por caixa):**

- [ ] Padrão de cria compacto ou salpicado?
- [ ] Larvas com cor e posição normais (pérola em "C")?
- [ ] Operculos lisos, sem perfurações nem afundamentos?
- [ ] Mumias ou larvas mortas nos favos ou no assoalho?
- [ ] Manchas fecais na caixa ou na entrada?
- [ ] Ácaros visíveis em abelhas ou no fundo da caixa?
- [ ] População compatível com a estação e a florada?

**Por ciclo de manejo:**

- [ ] Renovar 1/3 dos favos por temporada (guia de [renovação de favos](/blog/renovacao-favos-colmeia/));
- [ ] Substituir rainhas fracas ou de linhagens suscetíveis;
- [ ] Higienizar material usado em colônias doentes;
- [ ] Fazer quarentena de colônias recém-compradas antes de misturá-las ao apiário.

**Por estação (fim do inverno → primavera):**

- [ ] Reduzir caixas ao volume que a colônia cobre;
- [ ] Verificar tampas, frestas e drenagem contra chuva;
- [ ] Garantir reserva de mel e pólen ou suplementar corretamente;
- [ ] Revisar o [calendário apícola do mês](/blog/calendario-apicola-brasil-manejo-mes-a-mes/) para a sua região.

## Quando Pedir Ajuda Técnica

Procure apoio oficial ou profissional sempre que:

- a larva morta for **mole e pegajosa** em vez de mumia dura (suspeita de cria pútrida);
- várias colônias do apiário apresentarem o mesmo quadro ao mesmo tempo;
- a colônia entrar em colapso rápido, com chuva de abelhas mortas na frente da caixa;
- houver mortalidade logo após aplicação de agroquímicos na região (nesse caso, comunique também o órgão ambiental e o MAPA);
- você quiser confirmação laboratorial antes de descartar ou fundir colônias.

No Brasil, o cadastro do apiário junto ao MAPA (via SAA do seu estado) é o canal formal que conecta você a notificações e campanhas sanitárias — vale manter em dia, como explica o guia de [regulamentação de meliponários e cadastro](/blog/regulamentacao-meliponarios-cadastro-brasil/).

## Perguntas Frequentes

### Quais são as doenças mais comuns das abelhas no Brasil?

Cria giz (ascosferose), cria pútrida europeia, nosemose, varroase e traça da cera. A cria pútrida americana não tem ocorrência confirmada oficialmente no país, mas qualquer suspeita deve ser comunicada aos serviços veterinários oficiais.

### Como sei se a cria está doente?

Cria sadia é compacta: larvas em "C", cor pérola, operculos lisos e da mesma cor. Sinais de problema: cria salpicada com falhas, larvas amareladas ou mumificadas, operculos perfurados ou afundados e odor estranho no quadro.

### Cria giz tem cura?

Não existe "cura" em produto único — a colônia recupera quando o manejo corrige as causas: reduzir espaço, melhorar ventilação, secar a caixa, trocar favos contaminados e reforçar a população. Em geral regride com a chegada do tempo seco e quente.

### Posso usar antibiótico em abelhas no Brasil?

O uso de medicamentos em colmeias exige produto registrado e orientação técnica, com respeito aos períodos de carência para não contaminar o mel. Na prática, a base do controle sanitário brasileiro é o manejo preventivo — a maioria das orientações oficiais prioriza resistência genética e boas práticas em detrimento do tratamento medicamentoso.

### Abelhas sem ferrão têm as mesmas doenças?

Não exatamente. Meliponíneos têm seus próprios parasitas e predadores, mas a maioria das doenças descritas aqui é específica de *Apis mellifera*. O princípio da prevenção, porém, vale para qualquer [meliponário](/glossario/meliponario/): colônia forte, caixa seca, alimento em dia e monitoramento frequente.

### Uma colônia doente contamina o resto do apiário?

O risco existe, principalmente por favos, quadros e equipamentos compartilhados. Por isso, higienize o material após manejar colônias doentes, não troque favos entre colônias sem necessidade e mantenha colônias novas em observação antes de integrá-las ao apiário.

## Fontes e Leituras Técnicas

- [Embrapa — publicações sobre sanidade e manejo de abelhas](https://www.embrapa.br/busca-de-publicacoes/-/publicacao/busca/apicultura)
- [MAPA — sanidade animal e defesa agropecuária](https://www.gov.br/agricultura/pt-br/assuntos/sanidade-animal)
- [SENAR — cartilhas e cursos de apicultura](https://www.cnabrasil.org.br/senar)
- Conteúdos relacionados no Apiculturar: [varroa](/blog/varroa-abelhas-monitoramento-controle/), [traça da cera](/blog/traca-da-cera-colmeias-melgueiras/), [renovação de favos](/blog/renovacao-favos-colmeia/) e [colmeia sem rainha](/blog/colmeia-sem-rainha-sinais-o-que-fazer/)

## Conclusão

Doença de abelha, no Brasil, se previne com caderno de campo e favo novo — muito antes de se tratar com produto. Os quatro problemas mais comuns (cria giz, cria pútrida europeia, nosemose e varroase) anunciam-se em sinais visíveis: mumias de giz, larvas moles e descoradas, manchas fecais, cria salpicada. Quem revisa com frequência e sabe o que procurar identifica tudo em minutos.

Ao encontrar um quadro suspeito, mude de nível: fotografe, isole o material e acione o apoio técnico — sobretudo diante de qualquer suspeita de cria pútrida. E no fim do inverno, antes da primavera acelerar a cria, aproveite para reduzir caixas, secar tampas e renovar favos. Um apiário saudável não é o que nunca vê doença; é aquele em que o apicultor enxerga o problema cedo e responde com manejo, não com pânico.
